terça-feira, 26 de abril de 2011

Formigas cortadeiras - sauvas e quenquéns

As saúvas e quenquéns são denominadas formigas cortadeiras por cortarem plantas utilizadas como substrato para o cultivo de um fungo: este sim o alimento das larvas, operárias e da rainha. Não comem as folhas como supõem algumas pessoas, mas as cortadeiras podem sugar a seiva das folhas cortadas. Muito já se falou dessas formigas. O padre José de Anchieta, já nos idos de 1560, citava os danos das formigas cortadeiras. Um naturalista francês, sem vivência com esses grupos no seu país de origem, teria dito “ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”. Podemos afirmar com certeza que nem o Brasil acaba com a saúva, nem a saúva acaba com o Brasil. Vamos aprendendo a conviver com esses indivíduos da forma mais racional possível.


Esses insetos ocorrem desde o Sul dos Estados Unidos até a região central da Argentina, não ocorrendo no Chile e em algumas ilhas das Antilhas. É um inseto americano. Sua colônia (formigueiro) é um conjunto intrincado de canais e câmaras (“panelas”), com dimensões e funções variadas, que abrigam castas bem definidas com distribuição de trabalho entre os membros da população. Estima-se em um sauveiro grande até oito milhões de formigas. Todas fêmeas, a não ser na época da revoada ou “vôo nupcial” quando o formigueiro adulto se prepara para a formação de novas colônias, produzindo machos e fêmeas férteis; bitus e iças, respectivamente. Fora disso, é uma sociedade de fêmeas, comandada por uma rainha, com uma organização de fazer inveja, onde o importante é a manutenção da colônia, um dos motivos do sucesso desses insetos ao longo de 120 milhões de anos..



Até a década de 1990, fora do Noroeste do Paraná, pouco se falava sobre a ocorrência dessas formigas no Estado. Hoje, com a simplificação dos ecossistemas agrícolas e, consequentemente, diminuição da população de parasitos e predadores, e o comportamento das espécies em ocupar espaços, essas formigas ocorrem em todos os municípios do Paraná. Tanto na zona rural como urbana. Cidades, praças, estradas, mata nativa, reflorestamento além das lavouras cultivadas. No entorno das represas, nas áreas de proteção com matas ciliares, ocorrem grandes formigueiros liberando fêmeas férteis para a formação de novos formigueiros.


São observadas cortando plantas nativas e exóticas como eucaliptos e grevíleas, laranja, café, milho, cana, e, principalmente, pastos cultivados. É a principal praga em reflorestamento de eucalipto. Um sauveiro adulto pode consumir uma tonelada de folhas dessa espécie por ano. Em cana, com apenas um formigueiro por hectare, pode ocorrer uma perda de 3,6 t/ha ano: equivalente a 450 kg de açúcar ou 300 litros de álcool/ano. Segundo alguns autores dez sauveiros cortam 21 kg de forragem/dia, reduzindo em 50 % a capacidade da pastagem. Essa situação hoje é reconhecida, por muitos produtores da região Norte do Paraná, tanto no arenito quanto na área de basalto, como mais um problema a ser administrado e tende a provocar grandes prejuízos caso não se tome medidas necessárias para conter o aumento do número de formigueiros.

Lauro Morales – Engenheiro agrônomo e Entomologista do Emater Londrina (PR)

Publicado no site:diadecampoonline.com.br

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